Estamos em obras, contamos com as sua compreensão

Quando a gente vira mãe, um novo mundo se abre diante dos nossos olhos.

Essa frase é básica, é clichê e é muito verdadeira – como a maioria dos clichês.

São montes de informações, sentimentos, necessidades, tarefas e responsabilidades que se antes eram inexistentes, agora meio que dominam a sua vida e o tempo que antes era vago.

Isso por mim, que refleti muito antes de decidir me tornar mãe, era esperado. O que não era esperado era a dificuldade que o meu cérebro ia ter de absorver esse novo mundo.

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Não dá, não consigo lembrar das coisas! As coisas do nenê, não esqueço nada…tá, ou quase nada. Mas o resto, gente! Meu marido já nem tem mais raiva de repetir a mesma coisa pra mim, se conformou. No trabalho tenho que anotar as coisas em mil lugares diferentes, esqueço do que me foi dito semana passada. A coisa simplesmente não anda do jeito que andava antes. Quando menos espero, percebo que parei de prestar atenção na conversa, no trânsito, no filme. Tô lá com cara de peixe, pensando em sei lá…papinha, protetores de tomada ou que não paguei uma conta.

Tarefas simples ficam semanas sem ser executadas, mensagens ficam sem resposta, assuntos ficam esperando uma definição minha. É um nó, um nozão cego.

Como, gente? Como as pessoas fazem com mais do que um filho? Como a minha mãe, que teve quatro, fez? Onde vai essa montanha de preocupações e deveres?

É como se meu cérebro estivesse em obras desde que o Enrico nasceu. Empenhado na construção uma sala (enorme) pra armazenar e gerenciar todas as coisas relativas ao nenê, mas essas obras estão muito atrasadas.

Aliás, acho que essas obras são do governo federal. Não, acho que são do governo estadual que não é do mesmo partido do governo federal, então pararam de enviar verba. Acho que tem um processo de impeachment no meu cérebro.

O resultado disso tudo é que está tudo misturado, tem caixas sobre maternidade no lugar que ficam as coisas de trabalho, na sala de informações cotidianas, de relacionamentos sociais. Imaginem como está a sala que guarda as coisas relativas à matemática – ela já era minúscula, agora então…impossível.

Eu estou aguardando pacientemente, acho que uma hora as coisas vão se organizar e cada coisa vai ser colocada em seu lugar. Além disso, estou confiante de que no momento que isso acontecer, eu vou decidir engravidar de novo. É claro.

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Também pode acontecer de que estou esperando à toa, e a vida agora é o caos. Não tem sala, não tem organização, tem só bagunça e coisas por fazer – e vai piorar. You know nothing, Jon Snow.

Nos resta orar e confiar que o pessoal das muralhas vai conseguir manter o reino a salvo dos Outros e a organização vai ser restaurada.

Viram como eu misturei maternidade com Game of Thrones? Nada a ver? Normal. Eu faço isso agora.

Se segurem.

texto por Ana Victória Foganholi

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