Banheiro e filhos

maozinha

Deveria existir o EMATU, Estatuto da Mãe e Tutor, que nem tem o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

No EMATU ia ter um artigo que diz algo assim: Toda mamãe ou tutor tem o direito de ir ao banheiro fazer suas humildes necessidades sem uma ou mais crianças na porta berrando o seu nome e forçando o trinco.

Não haveria de ser o primeiro artigo, porque têm coisas muito mais importantes, mas precisa estar nesse estatuto.

Precisa, gente.

Claro, não ia adiantar de nada, eles continuariam fazendo exatamente isso, mas pelo menos a gente ia reclamar e se irritar com embasamento jurídico.

Uma história quase assombrada


Fim do dia, acabamos de chegar em casa, sr. Enrico e eu. Casa vazia e escura.
Antes de eu ter ter tempo de acender a luz, Enrico para na soleira da porta, aponta decidido em direção à mesa de jantar que está na penumbra e exclama
– um monte de gente!

– oi, filho? O que? ( tentando manter a calma espiritualizada mas já considerando colocar a casa à venda.)

– um monte de gente!

Respiro fundo, analiso a cena do ponto de vista dele, vejo a estante atrás da mesa, e pergunto pausadamente

– Filho, o monte de gente tá na mesa ou tá nas fotos?

– Nas fotos.

Não estou mais vendendo a casa.

Acendi um incenso de Palo Santo just in case.

Oremos.

Do que uma mãe de recém-nascido precisa?

Há alguns dias fiz a seguinte pergunta pras amigas que são mães no meu face: “Nas primeiras semanas de nascido dos seu nenê, o que você queria/precisava que tivessem feito por você mas não fizeram?”

É um assunto que já vem sendo falado, tem até uma lista super ótima que circula pela  internet faz um tempo com regras de etiqueta pra visitar o recém-nascido.

Mas se as angústias, necessidades e dificuldades da “mãe recém-nascida” estão sendo bastante faladas agora, isso é mesmo uma novidade. Antes ninguém tocava no assunto. A visão popular, senso comum da imagem de uma nova mãe (e a cada filho que nasce a mãe nasce de novo, viu?) era a mulher-diva-deusa amamentando numa nuvem tão rosada quanto suas bochechas, embevecida em felicidade e serenidade.

Bem, voltando pra realidade sonolenta e sem tempo pra tomar banho dos fatos, muitas mulheres mencionaram que sofreram com o famoso Excesso de Palpite.

EXCESSO DE PALPITE

Pitacos, opiniões e comentários não solicitados, sabe? Claro que sabe.

pitacos“Amamenta assim”, “Não é assim que troca a fralda”, “Ele ainda não dorme a noite inteira?!”, “Desse jeito você afoga ele”, “Ela tá com cólica porque você comeu feijão”, “Ele está com frio, coloque um casaquinho”, “Tá usando cinta? Minha prima não usou cinta e até hoje tem vergonha da barriga”, “Seu leite é fraco, ele chora tanto porque está com fome”, “Isso é quebrante”. A lista não tem fim. Vamos fazer assim? A não ser que seja um caso flagrantemente errado, deixe a mãe fazer do jeito dela. Cuidar de um nenê é tipo Neston, existem 1000 maneiras de fazer. Todas certas, todas boas.

E não sei se todos os palpiteiros sabem, mas existe uma especialidade médica chamada PEDIATRIA. Tem essa pessoa denominada médico pediatra – e ele orienta a nova mãe em tuuuuudo que se relaciona ao cuidado com o bebê! Impressionante né? Eu sei.

Então eu recomendo agir da seguinte forma, mamães de saco cheio com os palpiltes: leve sempre consigo um bolo de cartões de visita do pediatra do seu filho. A pessoa começou a dar palpite? Entregue um cartão do pediatra e peça que ela fale com ele(a) e ensine pra esse médico como que se faz.

E pode ter bastante cartão de visita, porque no começo, especialmente no primeiro filho, é muita gente agoniada pra visitar a qualquer custo:

NASCEU! VAMOS AGITAR UM CHURRAS NA MATERNIDADE MESMO?

churrasTambém apareceram muitos comentários falando sobre a bagunça, a enorme quantidade de visitas, a falação, a festa, o clima de frango com farofa, enquanto a mãe só queria silêncio e privacidade com o seu recém-nascido. Eu, Ana Victória, fui chamada de chata quando pedi pra falarem baixo perto do nenê na maternidade.

Que zona, que invasão de privacidade, que agonia absurda pra ver um nenê que via de regra, fora pra família e amigos muito próximos, é exatamente igual a todos os outros. Isso é típico de país latino. Com essa onda de conscientização, espero que o costume acabe logo, salvo se a mãe fizer questão e deixar claro que quer isso.

“Ai que chata! que neura!”. Verdade, a gente fica meio na neura no começo e a neura precisa ser respeitada. Então, ao invés de avisar que vai visitar, pergunte na boa se pode ir ou se a mãe prefere que seja mais pra frente.

Meus visitantes foram dos mais diversos, e teve gente que eu amei receber, que eu não queria que fosse embora, porque eu sou do tipo expansivo-gregário-italiano. Teve gente que eu fiquei meio “?” e outras que se só pisassem na soleira da porta e fossem embora não teriam ido rápido o suficiente. 

A questão é que com tanta gente orbitando, temos um resultado que é a soma de ter visitas em casa + uma mãe que acaba de dar à luz:

CASA SUJA, MÃE CANSADA, NENÊ INDEFESO, VISITAS À VONTADE.

house guestsFalta de ajuda pra arrumar a casa é outro clássico. “Me dá ele aqui, eu seguro ele pra você poder lavar a louça.”. Não. Não. Você lava a louça se puder, por favor. A mãe quer ficar com o bebê. A mãe quer dormir. A mãe quer fugir por 1h e respirar ar puro, quer ir fazer a unha, ficar sentada olhando pro nada, quer olhar pra cara de outras pessoas, quer se reconectar com uma parte dela que ela não encontra desde que deu entrada na maternidade. Se você puder e ela quiser que você fique com o nenê, é esse tipo de coisa que você vai sugerir que ela faça. A louça a gente vê depois.

Vá, visite, fale de coisas legais, ajude a mãe a espairecer, dê o mínimo de trabalho necessário, se der leve algum quitute que lactantes possam comer, fale baixo, lave as mãos, seja acolhedor, porque diante de você tem uma mulher que acaba de mudar de planeta e pode ser que ela esteja diante de um desafio e um período árido, com bastante:

SOLIDÃO

Um tópico que fica no cantinho, no escuro, encolhido, porque é bem dolorido.

 

solidão

Não sei como era cuidar de uma criança no passado, dizem que era algo muito mais coletivo, mas hoje em dia não é mais. A vida de todos é agitada, mil coisas pra fazer o dia todo, a nova mãe se sente deixada pra trás, fora do mundo real. É a solidão. E ela é tão pouco falada, e é pouco falada porque pode soar como uma acusação, uma reclamação daqueles mais próximos. É pouco falada porque é vista como fraqueza. Mas precisa ser dito: muitas mães de bebês se sentem sós. Se sentem carentes de companias que agregam e fazem bem. Talvez sua amiga que teve bebê faz 2 meses esteja em casa se sentindo abandonada e esquecida pelo resto do mundo. Espero que não, mas provavelmente está.

Nos vemos cercadas de muita gente no início, a enorme maioria totalmente fora do nosso ritmo e momento, nos sentimos sós. As pessoas falam, riem, poucas nos olham nos olhos pra realmente saber como está sendo, presumem que está sendo só alegria e beleza, nos sentimos sós. Sentimos toda a culpa do mundo pesando nos nossos ombros, sentimos uma tristeza sem nome, sentimos uma melancolia que cresce ao anoitecer, nos sentimos sós.  Temos medo de fazer algo errado, temos medo de falhar, nos sentimos sós. Quando passa a novidade, todo mundo some, a euforia acaba, muitos se afastam (e na maioria das vezes não é por mal, se afastam porque não querem incomodar), nos sentimos sós. Estamos cuidando de um ser tenro e vulnerável, hesitamos em fazer tudo, nos isolamos, ficamos presas em casa, nos sentimos sós. Temos dúvidas, somos mulheres, não nos ensinaram a pedir ajuda, parece que a gente tem que saber tudo por instinto, nos sentimos sós. A ajuda quando vem, muitas vezes vem de uma forma invasiva, julgadora, desmoralizante, nos sentimos envergonhadas, nos sentimos sós. Sentimos solidão.

Então o que saiu dessa pergunta que fiz foram essas reflexões. Muitas mais conhecidas e bem importantes, e a última menos falada mas muito real também.

Mas e agora? O que fazer?

Como ajudar a mãe que acabou de ter um filho? Olhe nos olhos dela e pergunte com calma e sinceridade “Como eu posso te ajudar?”.

Você tem muita intimidade com essa mãe, olhe nos olhos dela e pergunte “Quer conversar?”, “Quer um abraço?”, “Quer um colinho?”.

abraço de ursoE você, mamãe recém-nascida, quer ser ajudada? Se permita, deixe que te ajudem. Assuma sua fragilidade e medo pra alguém de confiança, peça pra conversar, peça pra que comprem pão. Peça ajuda. Procure os grupos de mães da sua cidade, no seu facebook, no seu whatsapp. Encontre aqueles que servem para as mães se apoiarem e não se vangloriarem e compararem qual ganhou mais peso ou dorme mais, esses só pioram a situação. Talvez essa ajuda venha e seja mais fácil do que você imaginou.

Lendo as respostas, lendo os relatos, percebi que tudo o que ficou em falta nos primeiros tempos de nenê se origina simplesmente do fato das pessoas presumirem o que a mãe quer e precisa, ao invés de simplesmente perguntar a ela. Ela sabe, mas parece que todo mundo acha que sabe mais, ou que simplesmente não ligam.

E então? O que uma mãe de filho recém-nascido precisa?

Olhe nos olhos dela e: Pergunte pra ela.

Vai dar certo!

***

Texto por Ana Victória Garofani Foganholi

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Dificuldade pra amamentar? Você não está sozinha.

Vou começar abrindo o coração:

Eu, Ana Victória, não consegui amamentar.

E com toda essa imposição, essas frases que delicadamente sugerem que as mães que não amamentam amam menos os seus filhos, parece que as que não amamentam são preguiçosas, indolentes. Os avisos apocalípticos sobre os horrores que aguardam as crianças não amamentadas pegam mais fundo ainda e eu me sentia uma verdadeira incompetente, uma fracassada por não conseguir dar pro meu filho uma das únicas coisas que ele precisava para sobreviver.

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***

Não sei como foi para vocês, mas para mim, quando eu descobri o quanto é complexo e dolorido começar a amamentar, eu me assustei.

Vale dizer que eu acho que não se fala tão abertamente sobre a pauleira que é DE FATO começar a amamentar porque existe um medo de desestimular as futuras mamães a lutarem para conseguirem dar leite do peito. E é um medo justificado, porque tem toda uma indústria, um sistema, uma estrutura que quer levar a mãe a desistir de amamentar e gastar dinheiro comprando leite em pó. Não se iluda, existe sim.

Seja como for, eu fui livre, leve e solta pra esse mundo da amamentação, tipo a mocinha da propaganda de absorvente.

sempre-livre
oh the joy!
Foi por que não me aprofundei no assunto com amigas que já eram mães? Sim.

Foi por que entendo a amamentação como algo natural (e é mesmo) e por isso aconteceria “naturalmente”? Sim.

Foi por que dizem em tantos lugares coisas como “amamentar é lindo”, “amamentar é tudo que seu filho precisa”, que eu acabei achando que amamentar é igual a deitar numa nuvem cor de pêssego com anjinhos cantando enquanto seu filho delicadamente suga o amor líquido que jorra com facilidade de seus úberes? Ôu iés.

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tipo assim: deusa poderosa, coroa de flores, bocão, com leite até a canela.  *foto por Ivette Vens

Corta o filme para a seguinte cena:  eu saindo da maternidade com os dois bicos do seio em carne viva. Um tinha rachado e sangrado um bom tanto – e deixa eu falar que quando falamos de mamilo, até um pontinho de sangue já um “tanto” suficiente pra te deixar coisada, e foi muito mais do que um pontinho que eu encontrei coagulado, colando meu mamilo no sutiã – já o outro mamilo estava com hematomas, o pouquinho de leite que eu tinha já tinha secado e eu tava um caco, me sentindo uma incompetente insone e chorosa. Que barra.

Não tinha nuvem cor de pêssego, não tinha anjinho cantando (bom, tinha um chorando) e definitivamente não tinha peito jorrando leite. Ligar para o PROCON não era uma opção, já que quando era mais nova, eu alterei as características originais de fábrica do “produto”

Eu tenho cirurgia de redução de seio, sabe? E o que eu lia muito, meus olhos esperançosos queriam ver era apenas “Mulheres que reduziram os seios conseguem amamentar sim! Os médicos disseram ‘provavelmente não’, mas o corpo disse SIM”. E eu tava crente, tava comprometida, engajada nessa causa. Acreditava que eu também ia escrever um texto “Disseram que não ia dar, mas eu consegui!”

Eu não consegui.

Não teve massagem, chá, meditação, Equilid, spray de ocitocina, ordenha manual, eletrônica, supersônica, choro, reza, promessa que mudasse a realidade dos fatos: eu simplesmente não tinha glândula mamária regenerada o suficiente pra produzir mais do que 30ml de leite por dia.  Abracei esse “eu consigo amamentar mesmo com redução, não importa o quê” e demorei pra me conformar.

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eu ia pagar direitinho, juro!
Hoje, meu ponto de vista é que a nova mãe acaba presa no meio dessa guerra do “natural vs. indústria” na amamentação, guerra que nem é dela, da qual ela nem sabia. Fica isolada, infantilizada e desinformada. Novidade né?

Lembro até hoje do que passava pela minha cabeça quando saímos da maternidade e paramos na farmácia pra comprar o tal leite em pó: eu vi meu marido saindo com a lata na sacolinha e, enquanto ele caminhava em direção ao carro, eu pensava “essa lata infeliz é a ÚNICA que nós vamos usar, isso se usarmos inteira, logo eu vou estar amamentando.” Ha Ha Ha. A lata riu por último. Foi só muito depois que eu ri junto, abraçada na lata, pois hoje eu sou grata a ela.

Naqueles dias de 2015, quanto mais tempo passava, mais angústia e sensação de fracasso ia me dando, pois o leite não brotava, não vinha, não jorrava. Eu ficava pensando que se a gente estivesse na pré-história meu nenê ia morrer, porque eu era incapaz. (Eu sei, eu sei…mas é que eu tava no puerpério.).

Essa história termina bonita (só depois que eu me dei conta dessa beleza) – comigo chamando uma enfermeira de amamentação, um anjo chamado Grasiela Taborda Kemczenski do deleitedopeito.com que me ensinou um jeito de dar o leite em pó, mas com o precioso contato pele a pele mãe-bebê, a relactação. (se te interessou, procure uma profissional na sua cidade!)

relactacao
relactação! uma sondinha que leva o leite da mamadeira à boca do bebê, que está sugando a mama da mãe normalmente! *foto retirada do site babycenter.com
Mas quantas ainda carregam, quantas vão carregar, um sentimento de frustração e culpa injusto? Acho que muitas.

Então eu vou escrever aqui o que eu queria que alguém tivesse me dito olhando nos meus olhos, e espero que chegue em alguém que esteja precisando ler isso: no começo, pra algumas poucas mães é fácil e tranquilo. Mas no começo, pra maioria das mulheres, amamentar é difícil, dói muito, é difícil pegar o jeito, mil pessoas dizem mil coisas e poucas delas vão ajudar em alguma coisa e você pode se afundar em dúvidas. Depois fica fácil, vai ser delicioso, um momento valioso, vai ser naturalíssimo, prático e só amor. Mas até chegar lá precisa de determinação e coragem. E se depois de tentar sinceramente e de todo coração, você não conseguir:  você não é uma inútil, você não é menos mãe e você não ama menos o seu filho e seu filho não está condenado a ter doenças pelo resto da vida por causa disso.

Vão lutar a guerra de vocês pra lá e deixem a nova mamãe em paz, informada e segura, fazendo o que der, do jeito que der.

Amamentar não é um ato de amor, amar é que é um ato de amor.

texto por Ana Victória Garofani Foganholi

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O que falta num pai para conseguir cuidar de um filho?

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parece que não falta nada

No fim de semana passado eu viajei. Fiquei fora de 6ª feira bem cedinho até domingo no meio da tarde. E quem eu deixei em casa? Meu filho de 1 ano e 2 meses e o meu marido. E esse marido (não) por acaso é o pai desse filho.

E no processo de organizar a viagem, preparativos para mim mesma e para quem iria ficar, comecei a notar uma tendência que para mim foi inesperada: mais do que querer saber onde eu ia, o que eu ia fazer, as pessoas queriam saber quem ia ficar com o meu filho.

Me entristece um pouco dizer que 90% das pessoas, homens e mulheres, de todas as idades, ficaram impressionadas e/ou confusas ao saber que quem ia cuidar do nenê era o próprio pai.

“Mas ele consegue?!” ,”Como? ninguém vai ajudar ele?!”, “você tem coragem?!”.

As respostas para as perguntas são: com certeza absoluta, a princípio não, com certeza absoluta.

Não preciso nem entrar na questão de que se fosse o meu marido viajando, o contrário não ia acontecer. O filho é responsabilidade exclusiva da mãe, correto? Aham, vai nessa.

Pra mim a mensagem que fica, depois de concluir pela centésima vez que eu fiz uma boa escolha em questão de pai de filho, é que não só as mulheres precisam parar de pensar em homens como “fadados ao sucesso” no campo profissional, mas também precisam parar de pensar neles como “incompetentes ou coitadinhos” no campo doméstico/familiar.

O que falta num pai para conseguir cuidar do filho? Gente, não deveria faltar nada. Não falta NADA. Homens são tão capazes de afeto, amor, cuidado, dedicação quanto são as mulheres. São sim. Basta eles quererem e basta as mulheres darem espaço.

Não dá pra negar que muitos homens escapam dessa e se recusam, muitos se fazem de galinha morta pra andar de Kombi – sobre esses, tenho a dizer apenas: sinto muito, você está cometendo um grande vacilo. Adeus para esses homens, não quero falar deles.

Mas se formos falar do papel que a mãe tem nisso, acho que às vezes pode faltar confiança no pai, ou ter excesso de peninha.

Então, o que eu quero dizer depois desse episódio é o seguinte:

  • Homens: batam no peito e assumam integralmente o papel de pai de vocês. Vocês conseguem cuidar sozinhos de seus filhos, vocês podem, vai ser bom, vai ser demais! Se no começo bater uma insegurança, peça ajuda. Você vai ver que logo tira de letra.
  • Mulheres: sejam parceiras nesse processo, façam o pai entrar na rotina da criança, entendam que cuidar da criança de um jeito diferente do seu não é cuidar mal ou errado. Não deem mole: o pai consegue sim. Acredite no pai do seu filho.

Ah, e eu fui para um Retiro Espiritual. Foi DE-MAIS! ❤

– texto por Ana Victória

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Mamães e seus grupos de whatsapp: efeitos colaterais

entre muitas coisas boas que o grupo de mães no whatsapp nos traz, tem algo que me deixa agoniada.

Participar de um grupo de mães no whatsapp tem muita coisa boa: A troca de experiências é valiosa, as dicas muitas vezes servem pra você e sua prole, sempre tem alguém que acha promoção de fralda e, quando você tá exausta, estropiada e acabada, tem muito colinho. É só dar uma reclamada da vida que vem carinho, muito “óoo, tadinha! Te entendo.”. Esse consolo é apoio sem querer ficar dando “solução” ou olhando com cara de mosca morta na linha “do quê que você tá falando”, que é em geral como os louváveis maridos/ pai da criança recebem nossos desabafos.

marido sem noção
quando esse nenê nascer, ele vai vir com um manual junto. É só ler, vai ser super tranquilo!

Mas, como tudo nessa vida, o grupo de whatsapp tem o seu lado sombrio.

Já rolou um texto pela essa internet de meu Deus falando sobre as mães perfeitas dos grupos de Facebook e de whatsapp. Essas não me afetam tanto, já estou em paz com o meu lado desapegada dos frufrus, que de Chá de Bebê fez uma feijoada pra galera, que levou 9 meses pra batizar o filho e que não considera a possibilidade de encomendar cupcakes decorados pra festinha de 1 ano (fiquem tranquilas, ele tem avós).

Filho esse que também já deve estar ciente da mãe que tem. Eu acredito que eles escolhem a mãe que vão querer lá no Céu, e quando o Enrico apontou pra minha foto dizendo “quero essa aqui”, avisaram ele de todas as minhas peculiaridades, dentre elas o fato de que eu não sou da turma do “quanto mais detalhes e babados melhor” e o Enrico disse “tá, ainda aceito, pode me enviar”. Se eu estou errada e ele não sabia disso, vai ficar sabendo. Não se preocupem, logo vou começar a poupança-psicoterapia pra ele, dentro do programa “Minha mãe, meu trauma”.

A 17-year-old discusses his plans for the future with a female psychotherapist.. Image shot 09/2008. Exact date unknown.
pensei que o dinheiro guardado era pra me dar um carro, mas ela me fez descer aqui na frente, disse que ia pro shopping e volta daqui uma hora.

Enfim, voltando ao whatsapp e o seu lado sombrio.

Já te aconteceu de cometer o ERRO de ler sobre os efeitos colaterais de um remédio que você sempre tomou e nunca teve problemas? “Dor de cabeça” – começa a sentir uma pontada na têmpora, “espasmos musculares” – coloca a mão no pescoço, “fome aumentada” – já pega o chocolate. É o poder de sugestão da bula. Você não estava sentindo nada daquilo, mas chegou a bula e te alertou pra tudo que pode acontecer e logo você começa a pensar se não estava mesmo sentindo tudo aquilo, só foi muito cega e desligada pra perceber.

Isso acontece comigo, meu filho e grupo de mães no zapzap.

Alguém manda uma foto de uma criança com pintinhas e a pergunta “Meninas, alguém já viu esse tipo de pintinha no pescoço do nenê? Estou preocupada porque ele está chatinho e agora apareceram essas pintinhas…”. Lá vou eu dar uma revistada no corpo do meu nenê. Será que deixei passar umas pintinhas? Sou uma tansa mesmo, SERÁ que deixei?!

“Oi amigas, passei a noite inteira acordada, o Fulaninho não dormiu a noite toda porque os dentes tão nascendo. Tô morta!”. Já começo a me preparar pra noites insones, 20 pra ser mais exata, que é o número de dentes de leite na boca da criança.

“Meninas, acabo de dar abacaxi pro Beltaninho e ele agora está com a boca coberta de aftas!!!”. O abacaxi passa a receber olhares de desconfiança e desprezo.

“Passei duas horas consolando a Ciclaninha, ela estava indo super bem na escolinha, mas agora diz que não vai mais de jeito nenhum”. Vou ensaiando na minha cabeça os argumentos que vou apresentar ao infante quando ele chegar na época de se recusar a ir pra escolinha.

criança protegida
fora o estoque de plástico bolha que eu já adquiri

Resumindo, o grupo de mães do whatsapp tem muita coisa boa e muitas mães lindas e solidárias, mas mesmo assim eu não consigo, não sou forte o suficiente, não dou conta de ficar sabendo de tudo o que eu não sei, de tudo que pode acontecer. Me dá ruim, me dá agonia, eu fico coisada!

E mais: eu fico pensando nas coisas que já mandei nos grupos, se já deixei alguém ansiosa com alguma pergunta minha. Pensando bem, posso estar deixando uma mãe ansiosa AGORA mesmo lendo esse texto. Vai ver esse texto era a bula de remédio, ela nunca tinha lido, mas agora percebeu, já está sentindo a neura crescer. Desculpa!

Vamos encerrar esse texto por aqui antes que eu faça mais vítimas!

Estamos em obras, contamos com as sua compreensão

Quando a gente vira mãe, um novo mundo se abre diante dos nossos olhos.

Essa frase é básica, é clichê e é muito verdadeira – como a maioria dos clichês.

São montes de informações, sentimentos, necessidades, tarefas e responsabilidades que se antes eram inexistentes, agora meio que dominam a sua vida e o tempo que antes era vago.

Isso por mim, que refleti muito antes de decidir me tornar mãe, era esperado. O que não era esperado era a dificuldade que o meu cérebro ia ter de absorver esse novo mundo.

chaos

Não dá, não consigo lembrar das coisas! As coisas do nenê, não esqueço nada…tá, ou quase nada. Mas o resto, gente! Meu marido já nem tem mais raiva de repetir a mesma coisa pra mim, se conformou. No trabalho tenho que anotar as coisas em mil lugares diferentes, esqueço do que me foi dito semana passada. A coisa simplesmente não anda do jeito que andava antes. Quando menos espero, percebo que parei de prestar atenção na conversa, no trânsito, no filme. Tô lá com cara de peixe, pensando em sei lá…papinha, protetores de tomada ou que não paguei uma conta.

Tarefas simples ficam semanas sem ser executadas, mensagens ficam sem resposta, assuntos ficam esperando uma definição minha. É um nó, um nozão cego.

Como, gente? Como as pessoas fazem com mais do que um filho? Como a minha mãe, que teve quatro, fez? Onde vai essa montanha de preocupações e deveres?

É como se meu cérebro estivesse em obras desde que o Enrico nasceu. Empenhado na construção uma sala (enorme) pra armazenar e gerenciar todas as coisas relativas ao nenê, mas essas obras estão muito atrasadas.

Aliás, acho que essas obras são do governo federal. Não, acho que são do governo estadual que não é do mesmo partido do governo federal, então pararam de enviar verba. Acho que tem um processo de impeachment no meu cérebro.

O resultado disso tudo é que está tudo misturado, tem caixas sobre maternidade no lugar que ficam as coisas de trabalho, na sala de informações cotidianas, de relacionamentos sociais. Imaginem como está a sala que guarda as coisas relativas à matemática – ela já era minúscula, agora então…impossível.

Eu estou aguardando pacientemente, acho que uma hora as coisas vão se organizar e cada coisa vai ser colocada em seu lugar. Além disso, estou confiante de que no momento que isso acontecer, eu vou decidir engravidar de novo. É claro.

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Também pode acontecer de que estou esperando à toa, e a vida agora é o caos. Não tem sala, não tem organização, tem só bagunça e coisas por fazer – e vai piorar. You know nothing, Jon Snow.

Nos resta orar e confiar que o pessoal das muralhas vai conseguir manter o reino a salvo dos Outros e a organização vai ser restaurada.

Viram como eu misturei maternidade com Game of Thrones? Nada a ver? Normal. Eu faço isso agora.

Se segurem.

texto por Ana Victória Foganholi

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<3 Placenta <3

placenta

Essa é uma foto do Enrico olhando (com a mão) a Árvore da Vida que foi feita com placenta dele. A placenta dele e minha. Nossa.

A placenta é um órgão especial e temporário que o corpo mamífero e feminino (ah vá!) desenvolve para nutrir a sua cria. A placenta serve de pulmão, estômago, filtro, barreira para toxinas, produtora de hormônios, sistema de controle de temperatura pros nossos nenês. Para os mamíferos humanos, durante a gravidez ela é medida, controlada, observada, valiosa, abençoada e depois…normalmente…jogada fora, junto com todo o lixo hospitalar do lugar.

Isso, não vou mentir, me deixa um pouco triste.

Me deixa triste porque eu sinto no meu coração que a placenta deve ter um destino mais honroso, e seja pra onde for que ela vá ser encaminhada, que seja acompanhada de muita gratidão.

Ela representa a ligação entre dois mundos, viabiliza a formação de uma vida, é um órgão que a mãe e o bebê dividem, ela tem uma vida curta, valiosa, indispensável e poderosa.

Seja da maneira que for, eu acho que ela merece nosso amor não só enquanto foi útil, mas depois também.

Existe até um processo que transforma a placenta em pó, que por sua vez é colocado em cápsulas e a mãe ingere durante o puerpério. Eu até considerei fazer isso com a minha, mesmo não encontrando muitos dados científicos comprovando a eficácia da prática, mas não tem ninguém em Curitiba que faça e pra mandar pra cidade mais próxima ia ficar muito caro e arriscado.

Meu irmão engraçadão sugeriu fazer um smoothie com a placenta e tomar. Também não foi o caso.

Então o jeito que eu encontrei de honrar essa placenta que esteve dentro de mim, foi fazer uma impressão dela como Árvore da Vida, e depois enterrá-la na floresta, com uma pequena oração.

Muito grata, placenta minha! Você arrasou do começo até o fim!

Quem é que cuida da mãe no trabalho de parto e depois dele?

doula

Existe uma profissional que hoje em dia não é oficial nas salas de parto de Curitiba e está nas nossas mãos mostrar aos políticos que nossa vontade e de ter assegurado o nosso direito de termos uma doula ao nosso lado.

Conversando sobre gravidez e parto com um amigo semana passada, comentamos da situação um pouco cômica de que quando na sala de parto, assim que o nenê nasce, todas as atenções se voltam pra ele e a mãe fica lá sozinha.

Meu amigo inclusive contou que os profissionais que estavam na sala de parto disseram pra ele “a gente combinou faz anos que vai dar um carro 0km pro primeiro pai que, quando o nenê nascer, ao invés de ir com o nenê, fique com a mãe. Nunca vimos isso acontecer e acho que nem veremos”.

Provavelmente não vão ver mesmo. Até porque se o pai tentar ficar com a mãe, acho quem dará um corridão no pai e mandar ele ir junto com o nenê é a própria mãe. Não tem carro 0km que convença do contrário.

A realidade é que as mães em geral ficam sozinhas de verdade na sala de recuperação depois que o nenê nasce. Eu digo “em geral”, porque existem mães (tipo eu) que não ficaram sozinhas na sala de recuperação, imaginando o que está acontecendo com o nenê, imaginando se está tudo bem consigo mesmas, sozinhas, olhando pro teto, assustadas e desinformadas.

Eu tive um anjo, uma anja melhor dizendo, que ficou ao meu lado durante o trabalho de parto e depois que o foco saiu totalmente de mim e se deslocou pro meu filho. Essa anja, que se chama Simone Tessari, também atende pelo nome de “doula”.

Na estrutura formada para atender uma mulher em trabalho de parto, todo mundo tem uma função, e nenhuma delas oficialmente envolve olhar de verdade pra mãe, dizer que está tudo bem, explicar pra ela o que está acontecendo, dar força, garantir que os planos dela pro parto serão cumpridos, massagear nossas costas durante a contração ou simplesmente segurar nossa mão. Bom, não tinha, agora pode ter pra todo mundo que precisar: a doula.

E pra esses anjos serem oficiais no quadro de profissionais que integram a equipe em uma sala de parto, é bem simples: manifeste-se a favor assinando essa petição https://www.change.org/p/senhores-vereadores-de-curitiba-apoio-ao-projeto-de-lei-das-doulas-em-curitiba

Declare-se a favor de qualquer maneira que você puder.E se você não é de Curitiba, inicie o movimento na sua cidade.

Informe-se sobre como a presença de uma doula melhora o andamento do parto, sobre como mulheres que tiveram doulas ao seu lado se sentiram mais seguras e amparadas durante esse momento tão delicado e depois dele. Chega de mães se sentindo abandonadas emocionalmente durante o trabalho de parto e quase literalmente depois dele.

Empodere as mães e assim, empodere o mundo inteiro.

***

créditos da imagem: http://alaya77.blogspot.com.br/p/o-que-e-doula.html

The flash

  

Nenê dormiu, tá no berço, babá eletrônica ligada. 

Você tem tanta coisa pra fazer, mas claro que dá uma sentadinha no sofá com o celular na mão. 

Mas ó: UM PIO, UM ESTALO que dê pra escutar naquela babá-eletrônica…não existe pessoa que levante mais rápido e faça as coisas mais ligeiro do que uma mãe que lembrou que o nenê pode acordar a qualquer momento.