Oi bebê, tchau bebê.

Quando eu estava grávida do Enrico já tinha planos de ter logo depois o próximo. Daria assim uns 8 meses de Enrico nascido e já ia encomendar mais um. O Ricardo me olhava meio de lado, dizia “melhor esperar”, e claro que não estava escrito na pedra, mas era meu plano.

Nascido o Enricão, eu continuava com essa ideia. Ele foi um bebê bem tranquilo, então isso ajudou a manter a vontade. Vontade essa que durou pouco, pra ser mais precisa durou até o iluminado dia em que nasceu o meu afilhado Silvestre. O Enrico é aproximadamente 2 meses mais velho do que o Silvestre. Pouco, muito pouco, quase nada, mas no comecinho da vida dois meses dão muita diferença.

Só sei que voei pra maternidade pra conhecer o meu afilhadico, gatinho filhote dos negros cabelos cacheados, e dar um cheiro na minha amada Nina. Fiz tudo, juntas choramos, nos emocionamos, dei as boas-vindas ao novo bebê, à nova mãe e fui pra casa.

Uma hora e pouco antes, saindo de casa, eu tinha deixado um bebezinho muito pequeno aos cuidados do pai. E foi muito surpreendente retornar e dar de cara com um mega nenezão super grande, comprido, quase um senhor mesmo, tendo sua fralda trocada. Cadê o meu pequeninhozinho? Não tinha mais. O que aconteceu? Deram fermento pro meu filho? Esticaram? Inchou?

O Enrico continuava o mesmo, óbvio, o que mudou foi o meu olhar. Eu tinha acabado de ver e segurar nos braços um recém-nascido, muito tenro, ainda inchadinho e de chorinho manso.
Foi me dando conta disso que eu entendi: apressar a vinda do segundo ia adiantar também a despedida do primeiro bebê.

Assim que o segundo nascesse, o primeiro iria automaticamente se tornar um grandão, crescido. Eu ia ver tudo diferente, cobrar dele comportamentos mais maduros. Daí resolvi segurar, adiar essa despedida. Mas agora ela está próxima. Março está aí, e com ele chegará o meu segundo filho.

Pra deixar a grávida ainda mais emotiva, pra deixar a situação mais encharcada de lágrimas, minha amiga Rafaela, que tem a maravilhosa página, livro e insta “A Maternidade – Por Rafaela Carvalho” – conheça já os textos dela, se ainda não conhece! – e que está grávida de uma semana a mais do que eu (a diferença é que esse é o 4º filho dela), me publica dia desses um texto que confirma exatamente o que eu desconfiava disfarçando: sim, é verdade, o primeiro fica gigante quando o segundo chega.

Ter lido esse texto me rendeu uma bela meia hora chorando copiosamente ao lado de um Enrico dormindo calmamente. Saí do quarto dele parecendo um guaxinim, de tanto rímel e lápis escorrido na cara. Fiquei dias sentida, à flor da pele.

Enquanto eu me preparo pra dar as boas vindas e receber esse bebê com todo amor que existe em mim e mais aquele que vai nascer e crescer junto com ele, eu me preparo pra dizer adeus pro meu primeiro bebê. Sei que quando o Enrico entrar pela porta do quarto da maternidade pra conhecer o irmão, vou ver um menino entrar. Bebê mesmo, só nas fotos e recordações.

Todos os dias olho a mãozinha, o pezinho com cuidado, relevo mais birras, encho de mais beijos, não corrijo palavras pronunciadas errado, observo intensamente, com jeito de quem quer beber, mergulhar nos traços e trejeitos dele, pra ver se engano o tempo e as novas circunstâncias e consigo a proeza de ter dois bebês com 3 anos de diferença. Sei que não vai dar.

E pro meu consolo, sei também que serei grata, pois vou conhecer dois amores iguais e diferentes. Então a gente agradece chorando de saudade, agradece chorando de alegria, agradece chorando de tristeza, agradece chorando nem sei de quê, de tudo misturado e isso é ser mãe.

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