Do que uma mãe de recém-nascido precisa?

Há alguns dias fiz a seguinte pergunta pras amigas que são mães no meu face: “Nas primeiras semanas de nascido dos seu nenê, o que você queria/precisava que tivessem feito por você mas não fizeram?”

É um assunto que já vem sendo falado, tem até uma lista super ótima que circula pela  internet faz um tempo com regras de etiqueta pra visitar o recém-nascido.

Mas se as angústias, necessidades e dificuldades da “mãe recém-nascida” estão sendo bastante faladas agora, isso é mesmo uma novidade. Antes ninguém tocava no assunto. A visão popular, senso comum da imagem de uma nova mãe (e a cada filho que nasce a mãe nasce de novo, viu?) era a mulher-diva-deusa amamentando numa nuvem tão rosada quanto suas bochechas, embevecida em felicidade e serenidade.

Bem, voltando pra realidade sonolenta e sem tempo pra tomar banho dos fatos, muitas mulheres mencionaram que sofreram com o famoso Excesso de Palpite.

EXCESSO DE PALPITE

Pitacos, opiniões e comentários não solicitados, sabe? Claro que sabe.

pitacos“Amamenta assim”, “Não é assim que troca a fralda”, “Ele ainda não dorme a noite inteira?!”, “Desse jeito você afoga ele”, “Ela tá com cólica porque você comeu feijão”, “Ele está com frio, coloque um casaquinho”, “Tá usando cinta? Minha prima não usou cinta e até hoje tem vergonha da barriga”, “Seu leite é fraco, ele chora tanto porque está com fome”, “Isso é quebrante”. A lista não tem fim. Vamos fazer assim? A não ser que seja um caso flagrantemente errado, deixe a mãe fazer do jeito dela. Cuidar de um nenê é tipo Neston, existem 1000 maneiras de fazer. Todas certas, todas boas.

E não sei se todos os palpiteiros sabem, mas existe uma especialidade médica chamada PEDIATRIA. Tem essa pessoa denominada médico pediatra – e ele orienta a nova mãe em tuuuuudo que se relaciona ao cuidado com o bebê! Impressionante né? Eu sei.

Então eu recomendo agir da seguinte forma, mamães de saco cheio com os palpiltes: leve sempre consigo um bolo de cartões de visita do pediatra do seu filho. A pessoa começou a dar palpite? Entregue um cartão do pediatra e peça que ela fale com ele(a) e ensine pra esse médico como que se faz.

E pode ter bastante cartão de visita, porque no começo, especialmente no primeiro filho, é muita gente agoniada pra visitar a qualquer custo:

NASCEU! VAMOS AGITAR UM CHURRAS NA MATERNIDADE MESMO?

churrasTambém apareceram muitos comentários falando sobre a bagunça, a enorme quantidade de visitas, a falação, a festa, o clima de frango com farofa, enquanto a mãe só queria silêncio e privacidade com o seu recém-nascido. Eu, Ana Victória, fui chamada de chata quando pedi pra falarem baixo perto do nenê na maternidade.

Que zona, que invasão de privacidade, que agonia absurda pra ver um nenê que via de regra, fora pra família e amigos muito próximos, é exatamente igual a todos os outros. Isso é típico de país latino. Com essa onda de conscientização, espero que o costume acabe logo, salvo se a mãe fizer questão e deixar claro que quer isso.

“Ai que chata! que neura!”. Verdade, a gente fica meio na neura no começo e a neura precisa ser respeitada. Então, ao invés de avisar que vai visitar, pergunte na boa se pode ir ou se a mãe prefere que seja mais pra frente.

Meus visitantes foram dos mais diversos, e teve gente que eu amei receber, que eu não queria que fosse embora, porque eu sou do tipo expansivo-gregário-italiano. Teve gente que eu fiquei meio “?” e outras que se só pisassem na soleira da porta e fossem embora não teriam ido rápido o suficiente. 

A questão é que com tanta gente orbitando, temos um resultado que é a soma de ter visitas em casa + uma mãe que acaba de dar à luz:

CASA SUJA, MÃE CANSADA, NENÊ INDEFESO, VISITAS À VONTADE.

house guestsFalta de ajuda pra arrumar a casa é outro clássico. “Me dá ele aqui, eu seguro ele pra você poder lavar a louça.”. Não. Não. Você lava a louça se puder, por favor. A mãe quer ficar com o bebê. A mãe quer dormir. A mãe quer fugir por 1h e respirar ar puro, quer ir fazer a unha, ficar sentada olhando pro nada, quer olhar pra cara de outras pessoas, quer se reconectar com uma parte dela que ela não encontra desde que deu entrada na maternidade. Se você puder e ela quiser que você fique com o nenê, é esse tipo de coisa que você vai sugerir que ela faça. A louça a gente vê depois.

Vá, visite, fale de coisas legais, ajude a mãe a espairecer, dê o mínimo de trabalho necessário, se der leve algum quitute que lactantes possam comer, fale baixo, lave as mãos, seja acolhedor, porque diante de você tem uma mulher que acaba de mudar de planeta e pode ser que ela esteja diante de um desafio e um período árido, com bastante:

SOLIDÃO

Um tópico que fica no cantinho, no escuro, encolhido, porque é bem dolorido.

 

solidão

Não sei como era cuidar de uma criança no passado, dizem que era algo muito mais coletivo, mas hoje em dia não é mais. A vida de todos é agitada, mil coisas pra fazer o dia todo, a nova mãe se sente deixada pra trás, fora do mundo real. É a solidão. E ela é tão pouco falada, e é pouco falada porque pode soar como uma acusação, uma reclamação daqueles mais próximos. É pouco falada porque é vista como fraqueza. Mas precisa ser dito: muitas mães de bebês se sentem sós. Se sentem carentes de companias que agregam e fazem bem. Talvez sua amiga que teve bebê faz 2 meses esteja em casa se sentindo abandonada e esquecida pelo resto do mundo. Espero que não, mas provavelmente está.

Nos vemos cercadas de muita gente no início, a enorme maioria totalmente fora do nosso ritmo e momento, nos sentimos sós. As pessoas falam, riem, poucas nos olham nos olhos pra realmente saber como está sendo, presumem que está sendo só alegria e beleza, nos sentimos sós. Sentimos toda a culpa do mundo pesando nos nossos ombros, sentimos uma tristeza sem nome, sentimos uma melancolia que cresce ao anoitecer, nos sentimos sós.  Temos medo de fazer algo errado, temos medo de falhar, nos sentimos sós. Quando passa a novidade, todo mundo some, a euforia acaba, muitos se afastam (e na maioria das vezes não é por mal, se afastam porque não querem incomodar), nos sentimos sós. Estamos cuidando de um ser tenro e vulnerável, hesitamos em fazer tudo, nos isolamos, ficamos presas em casa, nos sentimos sós. Temos dúvidas, somos mulheres, não nos ensinaram a pedir ajuda, parece que a gente tem que saber tudo por instinto, nos sentimos sós. A ajuda quando vem, muitas vezes vem de uma forma invasiva, julgadora, desmoralizante, nos sentimos envergonhadas, nos sentimos sós. Sentimos solidão.

Então o que saiu dessa pergunta que fiz foram essas reflexões. Muitas mais conhecidas e bem importantes, e a última menos falada mas muito real também.

Mas e agora? O que fazer?

Como ajudar a mãe que acabou de ter um filho? Olhe nos olhos dela e pergunte com calma e sinceridade “Como eu posso te ajudar?”.

Você tem muita intimidade com essa mãe, olhe nos olhos dela e pergunte “Quer conversar?”, “Quer um abraço?”, “Quer um colinho?”.

abraço de ursoE você, mamãe recém-nascida, quer ser ajudada? Se permita, deixe que te ajudem. Assuma sua fragilidade e medo pra alguém de confiança, peça pra conversar, peça pra que comprem pão. Peça ajuda. Procure os grupos de mães da sua cidade, no seu facebook, no seu whatsapp. Encontre aqueles que servem para as mães se apoiarem e não se vangloriarem e compararem qual ganhou mais peso ou dorme mais, esses só pioram a situação. Talvez essa ajuda venha e seja mais fácil do que você imaginou.

Lendo as respostas, lendo os relatos, percebi que tudo o que ficou em falta nos primeiros tempos de nenê se origina simplesmente do fato das pessoas presumirem o que a mãe quer e precisa, ao invés de simplesmente perguntar a ela. Ela sabe, mas parece que todo mundo acha que sabe mais, ou que simplesmente não ligam.

E então? O que uma mãe de filho recém-nascido precisa?

Olhe nos olhos dela e: Pergunte pra ela.

Vai dar certo!

***

Texto por Ana Victória Garofani Foganholi

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