A vez da barriga

Desde cedo foi escondida, pra poucas pessoas aparecia. Até os 14 anos de idade, nem na praia ela era vista.

O tempo passou e pouco mudou. Apertada, disfarçada, desafiada: a barriga nunca estava do jeito certo, sempre fora do compasso.

Eis que num belo dia ela passou a ser tocada, acariciada. Pessoas diversas passavam a por a mão nela – ato antes impensável, só o marido podia por a mão nela e olhe lá! Olhe lá!

Mas tudo mudou: muitos tocavam, acariciavam e diziam “Parabéns!”.
Parabéns? Essa é nova.

Óbvio que a barriga concluiu que finalmente fez algo certo. Não entende muito bem o quê, pois se ela está fazendo algo, este algo é crescer. A cada dia maior e mais dura, de um jeito estranho. Está até pensando se não deveria ter ficado maior antes.

Mas não pensa muito, quer mesmo é aproveitar. Ganha carinho, ganha beijo, alguns falam com ela (diretamente com ela, chamando pelo apelido carinhoso de “nenê”!), fica bem soltinha, sem apertos e recebe massagem com óleo hidratante frequentemente. Ela claramente se reabilitou e agora é amada.

Depois de 30 anos, é a vez da barriga e ela está amando.

Tem certeza de que vai durar um bom tempo, pra compensar os anos de dificuldades

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