Alarido

Quando eu estava na 6a série, tinha uma professora de Português chamada Marise (dom bosquianos, me ajudem: era na 5a ou na 6a?).

Enfim, a professora Marise um dia usou a palavra “alarido”, e vendo que a maioria dos alunos não entendeu, explicou a palavra usando um exemplo e compartilhando um sentimento dela: “Quando nós estamos na sala dos professores durante o recreio, ouvimos o alarido das crianças no pátio e é um sentimento muito bom. Vocês ainda são pequenos e não entendem, mas quando se é adulto, esse som é muito gostoso.”.

Diante disso eu, com meus 12 anos de idade, pensei três coisas:

1- “alarido” é aquela gritaria infernal que acontece no recreio e que eu odeio desde que me conheço por gente. 
2- Quando eu for adulta eu aparentemente vou gostar dessa gritaria, o que prova que adulto é mesmo um ser muito bizarro.
3- Que bom que eu vou gostar do berreiro interminável, porque é muito irritante e eu poderia viver sem essa irritação.

O que eu quero dizer é que estou beirando os 30 anos e ainda detesto o maldito alarido. E eu com certeza sou adulta, sem essa de “síndrome de Peter Pan”.

E agora, professora Marise? O quê que você me diz? Quer explicar o significado de “promessas vãs”? De “expectativas frustradas”? Hum, hum?

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